sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quem quer saber?

Amigos,

Estou na escola de Ayurveda e aqui fazemos yoga e meditação todos os dias. Depois que as coisas se acalmaram, eu pude meditar sobre tudo o que eu tenho passado aqui na Índia e a razão dessa minha busca. Hoje, caminhando pelas montanhas que circundam a escola eu tive um Insight; O que eu busco não tem resposta e não pode ser encontrado, por que já é!

A miséria existe, é fato! O egoísmo e a indiferença existem no Brasil e aqui na Índia também, é fato! os guru e os mestres vão pra debaixo da terra assim com todos nós e a vida segue em frente. Se eu morrer aqui, não vai fazer nenhuma diferença a não ser para os que me amam. A vida segue em frente com ou sem o meu ego de "meditador".

Dei-me conta de o que eu procuro sempre esteve nos olhos de Lina, Kiran, Satya e Mariah (meus amados filhos), dos amigos queridos aí no Brasil e de todos com quem eu tive a imensa satisfação de caminhar juntos aqui na Índia. E eu querendo ser o pioneiro, o descobridor da resposta, mas que resposta? Aliás, Qual é mesmo a pergunta...?

Oh Shanti Shanti Shanti

Sujan

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

domingo, 24 de janeiro de 2010

India People

Clique na imagem abaixo para acessar um álbum contendo alguns instantâneos do povo indiano, seus tipos populares, etc..


India People

sábado, 23 de janeiro de 2010

O Ego que Salva...

Amigos

Essa é Vashtha. Quando a conheci ela tinha apenas essa roupa, cinco irmãos e morava com a família em uma casa de palha de 3m por 2m. Chequei ao estado de Tamil Nadu numa manhã de sexta feira e estava com uma dor muito forte na coluna (os trens não são muito confortáveis). Decidi contratar um ajudante pra carregar as malas e acertei com o irmão mais velho da Vastha pra carregar a mala maior durante todo o dia.

Na manhã seguinte, fui agradecer e me despedir deles. Na casa não havia onde sentar, não havia móveis. A “casa” não tinha porta, o chão era de terra batida e eu não tive coragem de perguntar onde eles dormiam, mas caí na besteira de pedir água e a pequena trouxe a água pra mim num copo de plástico que um dia foi branco. A “água” era marrom e tinha umas coisinhas dentro. Fechei os olhos e tomei de gute gute, pronto!

Saí de lá, quase chorando de pena daqueles coitados e por não saber o que fazer praquela dor parar de doer. Passei o dia inteiro incomodado. Algo dentro de mim precisava sair e eu não sabia o que era. Mais tarde, olhando as montanhas de Tamil Nadu, me dei conta do que estava acontecendo. Essa dor só existe em mim!

A necessidade de mudar os fatos é minha, a não aceitação da vida como ela é, é minha e esse ego que precisa ser o “salvador” é meu. Quanto orgulho em mim, quanta arrogância. Eles têm fé, dignidade, vivem o aqui e agora e eu quero “salvá-los”...

Passei cerca de meia hora dentro daquela casa, mas antes de sair me dei conta de algo singular. Toda vez que você olha pra eles, recebe de volta um sorriso e aquele olhar de criança. Aí eu percebi que foi esse olhar que revelou meu “ego de salvador”.

Segui meu caminho pensando neles e rindo de mim mesmo. Que grande lição esses mestres me deram nesse dia, que grande aprendizado...

Oh shanti shanti shanti

Sujan

Obs: a foto da paisagem é a visão que eles têm, olhando de dentro de casa, para o horizonte. Essas são as montanhas de Tamil Nadu. Pra eles, não existe montanha alguma, existe apenas o deus Ganesh.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Chegando em Combatore

Amigos,

Chequei a India sexta feira. Fui para o portal de Monbai, fiquei o sabado e hoje estou em Coimbatore 2000 km ao sul, na fronteira com o Sri Lanka. Combatore eh do tamanho de Bezerros, mas tem um milhao de meio de habitantes. A comida tem muuuuuuita pimenta e eu to passando apertado por que por mais que vc peca, eles nao tiram a pimenta. Comida sem pimenta eh uma ofenca aos deuses. Entao, tome pimenta...

Nao ha como definir o que se passa aqui. Existe milhares de miseraveis nas ruas. Eles nao tem o que comer, onde dormir, nao tem outra roupa alem da que ele usa e nao usam nada nos pes. Mesmo assim, vivem sorrindo. Imagine uma favela com um milhao de habitantes, mas SEM VIOLENCIA, NENHUMA, NADA! Todos eles tem um olhar inocente que faz a gente encher os olhos de lagrimas. Meu Deus, como entender isso?

Os trens sao imundos e abarrotados de gente. Paga-se 3 dolares pra andar 2 mil km. a agua eh dificil e em cada esquina tem alguem rezando. Vi um grupo de miseraveis rezando sob um sol de 40 graus num chao sujo e muito quente, havia mais de uma hora e eu perguntei ao fiscal da rede ferroviaria o que eles estavam fazendo e ele disse: agradecendo senhor. Agradecendo? agradecendo o que? E ele respondeu: Por estar vivo, senhor.

Eu nao pude conter as lagrimas...

Luz e paz para todos,
Sujan

Todas as respostas

Amigos,

Cheguei a Chinner Thadageim, ao oeste de Goa, no estado de padhesh. O clima é ameno e as levas de sudras caminham sob o sol quente. Para ele, servir aos Brâmanes é uma questão Karmica e o cruel sistema de castas garante a manutenção da escravidão na India em nome de uma vida melhor pós morte. Mas é também fato que essa definição "ocidental" de nada vale para eles. Servir ao próximo, estar em comunhão com Deus é tudo o que importa. O que para nós é progresso, cultura, intelectualidadnne, conhecimento, aqui não passa de mais uma face do ego que a tudo destroi.



Começo a me dar conta de que tudo, tudo aqui na India tem um proposito espiritual. Sim, eu sei que parece viagem, mas nada, nada do que eu vi ou aprendi se parece com o que acontece aqui. Aqui Deus não se revela no yoga, no ayurveda, nos "mestres", nos palacios suntuosos ou em túmulos de mármore, aqui Deus se revela nos olhos do povo.

Depois de muitos, muitos anos, voltei a falar com Deus e fazer disso uma prece. Não é a india que muda as pessoas, é o olhar desse povo simples, dentro deles tem todas as respostas, todas...
Oh shanti shanti shanti

Sujan

De partida para a Índia

Queridos,
Amanhã vou embora, UFA!

Seguinte: Vou para o aeroporto de Telaviv amanhã a noite por que o voo sai de 2 da madruga. Meia noite eu vou estar a 10000 metros de altura, não sei onde...

Fazer um curso num país sério, com profissionais sérios é outro papo. O curso foi organizado por judeus alemães e que dedicação, que profissionalismo. Eles não medem distancia pra tirar dúvidas, pra explicar o assunto e além disso, indicam vários sites a respeito do assunto, livros, artigos e não encerram NENHUM assunto sem que vc tenha entendido. Ah, tambem fazem questão de dar exemplos práticos. Além do conhecimento teórioco e prático do curso, o que vi aqui vai servir pra eu reavaliar a forma como eu venho conduzindo o meu trabalho e a abordagem terapeutica. VALEU APENA!

Chegaremos a Bombaim 16h (hora local) do dia primeiro e eu decidi cruzar a India de trem, é de trem! Bombaim fica no meio do país, Coimbatore onde eu vou fazer o curso, ao sul, Dheli ao norte e Veranasi a oeste. Somadas as distâncias da uns 8 mil quilometros e eu vou conhecer a india de trem, parando onde a tiver a fim de parar. Acredito de essa vai ser a maior aventura da minha vida, vejamos!

Meu objetivo é muito claro, vou procurar a India que existe fora dos pacebos religiosos, conviver com o povão e aprender com ele...
"VOCÊ É O QUE SE FAZ SER"

Guerdjef
Feliz ano novo para todos e tudo de bom em 2010.
Sujan

Natal em Israel

Queridos amigos,

Aqui nao se comemora o natal nem o ano novo, por que para os judeus cristo nunca existiu e e o ano novo ja passou, segundo o calendario deles. Compreendo que cada povo tem suas tradicoes e suas crencas e nao os julgo. Mas como cada um eh o que eh, EU SOU BRASILEIRO e vou comemorar o natal e o ano novo com uma simples vela, trancado em meu quarto. A escola eh na zona de fronteira e nao eh boa ideia falar desas coisas por aqui.

Que a luz da minha velinha possa iluminar os coracoes de todos nos, inclusive do povo judeu e do povo ababe...

Feliz Natal Feliz Ano novo, Namaste, SHALOM!
Sujan

Em Telaviv

Queridos amigos,

Estou em Telaviv no momento e por isso posso passar e mails. A escola fica ao norte de Iarael, na fronteira com a Jordania, a margem do rio jordao. A noite ouvimos os tiros distantes, mas na escola e "seguro". Ah, o teclado dos computadores e em hebraico e nao tem acentuacao.

Espero que vcs estejam bem e celebrando a vida.
Na escola faz, no momento, um frio de 5 graus, mas o inverno ainda esta por vir. Os dias sao de muita ocupacao e as noites sao um tedio. Por questao de seguranca a gente nao nao pode nem soltar PUM alto.
Bom, Telaviv e uma grande metropole. (Sabe aquela historia que americano acha que no Brasil so tem Indio?) Eh parecido, a televisao mostra a parte deserta dessa regiao, mas Telaviv e muito legal e da de dez a zero em Recife. E Linda, tem 14 Shoppings, dois aerportos internacionais, uma orla super chique com muitos pubs, muita gente bonita e muita roupa europeia barata. Infelizmente nao posso gastar aqui, so na India.

As cidades nao tem semaforo e os carros param pro pedestre passar em qualquer cruzamento. Tudo e muito limpo e o povo e muito educado com extrangeiros. Todo bar, restaurante, supermercado, Shopping, tem na entrada um sistema parecido com aquele da entrada dos bancos, mas e anti-bombas e a gente e revistado antes de entrar em qualquer lugar, um saco!.

Aqui e comum ver garotos e garotas do exercito om um fuzil a tiracoloto em todo lugar. O servico militar e obrigatorio por dois anos para as mulheres e tres para os homens. Ah, so pode cursar faculdade depois do servico militar.

Hoje fui a Jaffu, uma cidade arabe proximo a Telaviv, eh linda!. Estamos no Hnnukad (festa religiosa judaica) que dura uma semana e aqui eh feriado de oito dias. Vou aproveitar e viajar pelo pais. Semana que vem, vou a Jerusalem de de la, vou conhecer outros lugares. Um dolar vale quatro chekel e ai fica facil viajar pelo pais e la vou eu...

Fico aqui ate 30/12 e depois viajo pra India, pra outro curso de Ayurveda.
Nao sei se volto a Telaviv, mas vou escrever ate a data da viagem. (essa porcaria de teclado nao ajuda mesmo).

O curso e maravilhoso e os israelenses sao extemamente profissionais. Por mais dura que seja a minha estada na escola e esse fio dos infernos, ta valendo a pena!

Beijo e saudades,
Sujan